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Dissertação defendida

Dissertação defendida por: LUCAS VINICIUS ERICHSEN DA ROCHA 

Ano de defesa: 2015

Orientação: Prof.ª Dr.ª Alessandra Izabel de Carvalho

Título: Passagens e novas fronteiras dos abates: o Matadouro Municipal de Ponta Grossa 

e a historicidade dos espaços de matança animal centralizada

 

Disponível em: Biblioteca de Teses e Disertações- UEPG


RESUMO:

Ainda carente de estudos específicos no campo das Ciências Humanas, a história dos matadouros integra a análise de uma cadeia produtiva que vai desde a criação de animais, seu transporte, a morte, a industrialização, até a venda e o consumo da carne. Esse consumo humano de carne está historicamente ligado à problematização de como a espécie humana se relaciona não só com outras espécies animais, mas também com os espaços onde habita e na constituição de suas culturas. Por boa parte do século XIX a morte de animais para o consumo humano era realizada sem fiscalização e de uma forma que hoje poderíamos chamar de precária. É durante esse mesmo período que começam a emergir preocupações em relação à racionalização e à modernização dos espaços urbanos. Uma intervenção cada vez maior dos poderes públicos na dinâmica social implicou a revisão de vários aspectos que diziam respeito aos diferentes momentos da produção da carne tais como: as condições de criação e morte das reses; novas demandas sobre a higienização dos locais de matança; necessidade de centralização, municipalização e fiscalização dos abates; a disciplinarização do trabalho dos abatedores; e o gradual deslocamento dos matadouros para longe do espaço urbano e da visão da população que levou a progressivo um esmaecimento de preocupações éticas sobre a morte animal. Para construir um trabalho que analise esses processos de transformação dos matadouros e da historicidade da matança animal para o consumo humano, foi tecida uma narrativa em torno do caso específico da cidade de Ponta Grossa/PR. Assim, foi realizada uma investigação de documentos que versam sobre o tema em atas da câmara de vereadores, trechos de jornais, publicações oficiais da prefeitura, códigos de postura e imagens de época. Os debates públicos que envolveram a construção do matadouro municipal em 1888 e o seu posterior deslocamento para a periferia da cidade em meados da década de 1930 são exemplares de um movimento mais amplo sobre o controle da produção e circulação dos suprimentos alimentícios nos contextos urbanos. Logo, busca-se com o presente trabalho não só contribuir na construção de uma história dos matadouros e da historicidade de seus processos, mas também incrementar uma discussão historiográfica sobre uma prática que envolve diretamente a interface entre sociedades humanas e natureza, ou seja, o consumo de carne.
 
Palavras-chave: matadouro; historicidade; Ponta Grossa; Consumo de carne

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